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Por Dani Costa



modus vivendi

fragmentos. utilizarei pedaços de memória de um fim de semana congelante na paulicéia. notei que minha barriga não parava de doer. doeu a segunda-feira inteira. pensei que aquela dor não devia ser minha, pois não tinha feito abdominais. nem levado socos acima da "boca do estômago". não tive tempo de refletir sobre isso, mas encontrei a resposta na primeira gargalhada: minha barriga doía de tanto que eu ri. de tanto que eu ria. de tanto que abri minha boca e relaxei os músculos que são dela, rindo quase que convulsivamente das coisas mais rebeldes e tolas e, por isso mesmo, delirantemente merecedoras de riso meu. esse de doer minha barriga.

então, imaginei que cada fragmento é um título de filme ou livro. e ficou assim:

 

* "declarações que nunca fiz para muita gente". muitos ficam para trás. ainda. todos admitiram. 

* "a forma de narrar o mundo é um poder". que cabe a qualquer um. que coisa.

* "não vamos ver esse filme porque é romântico. e hoje somos só amigos". nós vimos o filme.

* "foi a coisa mais romântica que me aconteceu sem querer", diz o amigo ao relatar a descoberta de um incrível jardim de inverno em Tiradentes.

* "o que você quer fazer agora?" (esse é o título) "ver a torre que muda de cor aqui mesmo na Paulista". (10 graus). "Então, vamos andar".

* "o bom sentido da maluquice! escrevam o bom sentido da maluquice!". aula no sábado.

* "dia mundial da história de vida". é dia 16 de maio.

* "o aprofundamento vale para todo momento". para entrevistas e não entrevistas.

* "revoltas contra o domínio da razão". ou, "estava frio demais e por isso fizemos isso".

* "rapsódia".

* "navalha na carne foi demais para a senhora que passava mal na platéia". só eu vi. e quem tava junto.

* "falar de pintos sempre traz gargalhadas". o pênis alheio é sempre algo engraçado, e nem sempre tão alheio. falamos por que queremos?

* "joguei teus travesseiros no sofá porque achei que te vi beijando alguém". viu errado. a cama é quentinha.

* "não suporto ler tua dor, não lerei teu livro". disse ele. "apenas uma vez", vimos no cinema.

* "chegou bem? quatro fios de seu cabelo agora são meus".

 



Escrito por Dani Costa às 22h54
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