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Por Dani Costa



fimdafolia

o carnaval acabou. durante os quatro dias trabalhei. foi uma mescla de textos que me deixou exausta. apesar de não fazer parte da folia, eu era uma porta-voz dela. era gente pulando para um lado, criança fantasiada para outro, sambas-enredo, praia lotada, purpurina na minha pele, um passinho de dança para acompanhar o entrevistado e sentir a apuração na alma.

depois volta, escreve correndo, pede os centímetros na página. é a folia. devo ter escrito isso umas mil vezes. folia.

um homicídio quebra a alegria, lá vou eu. sobe um matagal paralelo ao valão. insetos, mau cheiro, cachorro perdido. eu já apurei homicídio um monte de vezes. em nenhum precisei olhar o defunto. não tenho medo da morte. tenho asco da imagem. as coisas vivas me mantém ativa, com energia para correr o dedo no teclado. a morte me desanima. a folia, prefiro a folia.

para ver a vítima era preciso subir mais morro. não fui. com as informações do policial já era suficiente. neste caso, especificamente. muitos tiros na cabeça. eu tinha acabado de vir de uma roda de samba na praia. com pessoas felizes. o carnaval é isso.

o rapaz estava arrumado. talvez estivesse pronto para curtir em algum bloco, trio elétrico, sorvete com a namorada. ou não. talvez só quisesse morrer ali. pois certos hábitos nos condicionam a um final triste. e isso é totalmente previsível.

na volta o carro trepidava no chão do bairro. fim da folia.  

 

 

 

 



Escrito por Dani Costa às 20h00
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