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Por Dani Costa ele cheguei em casa naquele cansaço. de tudo. da vida. dos meus 26 anos, dos compromissos, da agenda berrando o que tenho que cumprir. do jantar que aceitei ir. do vestido velhinho que terá que parecer novo para que eu possa ficar bonita. do meu cabelo ridículo que não vai ajudar em nada se continuar assim. eu estava cansada. entrei no meu quarto e sentei na beira da cama. nove e meia. casa silenciosa. às vezes acho solitário não ouvir nada além do vento castigando a janela. mentira, às vezes não, sempre. mas ele estava lá. no meio do corredor me ria a morenisse escandalosa de praia. um masculino de semblante sereno, o único que permito me olhar bem nos olhos. o único capaz de cafuné todos os dias na minha nuca, de uma gentileza que lhe veio no nascimento. o único a quebrar a solidão nas madrugadas quando sento na varanda com medo. sorri para ele. funguei qualquer coisa que não poderia sair como palavra. ele se aproximava lento me regulando com cuidado, observando e avaliando minha tristeza. ele está acostumado com meu cansaço, mas jamais se acostumará com minha tristeza. porque lhe dói. vejo isso no trato de seu afago comigo. funguei de novo. ele parou na porta. "conheço-o há dois anos e quatro meses". pensei. "como nos amamos". ele sorriu tão espontâneo, tirou a chupeta e interrompeu o silêncio: "princesa, te amo". conheço-o há dois anos e quatro meses, quando o recebi nos braços um bebê possante no choro. mas, estamos juntos desde antes do meu nascimento.
Escrito por Dani Costa às 22h39 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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